Aqui vou tratar quase que exclusivamente de Música,Cinema e Literatura. Sugestões que serão pontuadas pela curiosidade, qualidade e algumas pela indisponibilidade na rede mundial.
Eustáquio, um dos mais famosos e competentes produtores de álbuns icônicos como "Acabou Chorare", dos Novos Baianos, além de uma trajetória vencedora noutros trabalhos junto a Ronnie Von, Leno e Lílian, Alceu Valença, Djavan, Jair Rodrigues, Originais do Samba, Baiano e os Novos Caetanos (Chico Anysio e Arnaud Rodrigues) e responsável por muitas trilhas sonoras de novelas da Rede Globo pelo selo Som Livre.
Com toda essa capacidade (e influência), ele trouxe para o seu primeiro disco (1980) talentos como Zé Ramalho, Jorge Mautner, Robertinho de Recife, Paulinho Braga, Chico Batera, Manduka, Jamil Joanes e a dupla Robson Jorge e Lincoln Olivetti.
O Banheiro do Papa - Direção de César Charlone e Enrique Férnandez
Uma das melhores películas realizadas em solo uruguaio, numa produção de três países (Uruguai, França e Brasil).
Inspirada em fatos reais que ocorreram no povoado de Melo, próximo à divisa com o Brasil, a história mostra como a pequena localidade lidou com a expectativa da passagem do Papa católico, João Paulo II, algo que efetivamente não estava nos planos do Sumo Pontífice, mas que agitou os uruguaios.
A possível vinda de milhares de fiéis a Melo mexeu com a vida dos moradores no afã de obterem vantagens econômicas, o que determinaria um alívio à combalida rotina que passavam há anos, sobreviventes do instável comércio na fronteira dos dois países.
Dentre as várias ideias surgidas, uma, criada por Beto (César Troncoso), parecia genial, ou seja, a disponibilização de um banheiro, onde os visitantes poderiam usar durante a visita papal.
A cidade se entusiasma e até mesmo as pessoas mais lúcidas são tentadas a acreditar no êxito financeiro que uma rápida passagem do religioso poderia atrair cerca de 80 mil devotos, e muitas se desfazem de tudo ou quase isso para montar barraquinhas ao longo do suposto trajeto que o Papa cumpriria.
Com poucos atores profissionais, a película cumpre bem e se equilibra satisfatoriamente entre o drama e a comédia.
No elenco estão Virgínia Méndez (esposa do protagonista) e Mario Silva como Valvulina.
Uma comédia romântica leve e criativa, recheada de grandes atores e um diretor de sucesso (Bedos).
A história começa com Victor (Daniel Auteuil) e Marianne (Fanny Ardant), um casal com mais de 60 anos, que está se afastando, consequência de um relacionamento frio, em parte, pela amargura do homem. Ele, que é cartunista às antigas, está desempregado e não tem intenção de se inserir no mercado tecnológico, que vai, inevitavelmente, substituir o impresso pelo digital.
Marianne sente o relacionamento ruir e põe Victor para fora da casa e, de certa forma, de sua vida, pois já tem um amante, Pierre (papel de Denys Podalydés).
Ao conhecer Antoine (Guillaume Canet), dono de uma empresa de entretenimento que mescla presente e passado aos interessados, este lhe propõe realizar seu maior sonho, o que ele, Victor, gostaria de reviver.
O desenhista escolhe o ano de 1974, fase em que conheceu Marianne, o grande amor de sua vida, fato que ocorreu num bar chamado La Belle Époque, em Lyon.
Assim, Antoine providencia cenários e atores que viabilizam o desejo de Victor, que, na representação, é o único real, ainda assim, tentando pensar e agir conforme era neste período.
Vale dizer que tudo está como em 74: figurino, músicas, arquitetura, isto é, uma viagem no tempo, sem ser ficção científica.
Entretanto, Victor acaba se apaixonando pela atriz que interpreta a jovem Marianne (Dora Tillier), que, por coincidência, é namorada de seu filho na vida real. Ele não tinha conhecimento da relação dos jovens.
Ao mesmo tempo, nos momentos em que vive o presente, ele conquista uma vaga na equipe de Antoine e começa a se adaptar às novas tecnologias de sua profissão, recuperando a auto-estima.
Resta saber como ele vai lidar com sua nova paixão sem perspectivas (a atriz) e a possibilidade de reatar com Marianne, que vive várias decepções com o novo instante ao lado de seu "affair".
Recém finalizei a leitura desta obra do colombiano, residente na Espanha, Juan Gabriel Vásquez. Um primor, inclusive, elogiada por Gabriel García Márquez e Mário Vargas Llosa.
O livro tem como fundo o período de hegemonia de Pablo Escobar, maior traficante de drogas da América, dos anos 70 até o início dos 90, e a fase pós-queda dele.
Começa com o encontro do professor universitário, o advogado Antônio Yammara, e o estranho Ricardo Laverde, nos momentos de folga do primeiro, num bar, onde se joga sinuca.
Aos poucos, ao longo dos dias, Antônio conhece parte da trajetória de Ricardo, um piloto de aeronaves, sem saber que este passara algum tempo cumprindo "cana" por conta de atividades ilegais junto ao tráfico de drogas.
Um dia, ambos andavam descontraidamente pelas ruas de Bogotá, quando motoqueiros alvejaram e mataram Laverde, ferindo gravemente, também, Antônio.
A partir deste acontecimento, já recuperado do atentado, o professor, que é casado com Aura, que espera a primeira filha (Letícia), buscará desvendar os mistérios que a vida pregressa de Ricardo esconde.
Uma outra personagem entra na trama com muita força: é Maya, a filha que o morto teve com Elaine Fritts, uma norte-americana ativista de um grupo chamado Corpo de Paz, que atua em regiões de intensas fragilidades socioeconômicas na Colômbia.
Elaine, que Ricardo sempre chamou de Elena, morre num acidente de avião, e este fato é mais um condimento no desenvolvimento da história.
Com esses quatro personagens centrais (Antônio, Maya, Aura e Ricardo), o autor produz um romance em que vidas comuns são afetadas de forma irreversível pelo ambiente de tráfico de drogas. Contudo, ele (Vásquez) não traz na sua narrativa a violência explícita que filmes e livros costumam apresentar.
Um dos melhores livros que li nos últimos anos.
Escrito em 2011, a editora é a Alfaguara. Possui 247 páginas.
Sara Lezana nasceu Sara Lezana Mínguez, no dia 5 de março de 1948, em Madri, Espanha. É atriz e bailarina. Alguns de seus filmes são: Tiroteio em Red Sands (Gunfight at the Red Sands-1963), A Morte de um Pistoleiro (Joaquín Murrieta-1965) e A Queda dos Moicanos (Uncas, el fin de una Raza-1965).
Um clássico irretocável do grande artista mineiro nascido no Rio de Janeiro.
Neste álbum, o quarto dele, está a música Clube da Esquina, ausente no álbum duplo homônimo (não confundir com a Clube da Esquina 2).
Além dela, há músicas fantásticas como "Para Lennon e McCartney", "Maria Três Filhos", a citada "Clube da Esquina", "Durango Kid", "A Felicidade", entre outras, além de bônus como "Aqui é o país do futebol" e "Tema para Tostão".
Neste trabalho, Milton Nascimento contou com a participação do Som Imaginário (Rodrix, Wagner Tiso, Robertinho Silva, Luiz Alves, Tavito e Fredera), também com Naná Vasconcelos, Lô Borges e... Dorival Caymmi numa faixa.