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quarta-feira, 9 de abril de 2025

Literatura

Dica de Leitura 

Quase Memória - Carlos Heitor Cony

Há autores que admiro pelo que escrevem, o profundo conhecimento e paixão pelo assunto discorrido página a página, que emociona o leitor, por exemplo, Eduardo Galeano. 

Outros, admiro pela forma com que (d)escrevem a história, ou seja, a fluência do texto, a riqueza gramatical, a harmonia das palavras que tanto prazer fornece a quem tem acesso à obra. É o caso de Carlos Heitor Cony.

Em Quase Memória, o escritor carioca ganhou o prêmio Jabuti de melhor romance em 1996. 

Uma ficção em forma de biografia, onde o tema principal acaba sendo também, o pai dele, Seu Ernesto, que começa com o jornalista recebendo um embrulho sem identificação, mas com todas as características daqueles confeccionados pelo pai, a letra, a tinta, o papel, em especial, o nó do barbante realizado com esmero e técnica, que ele só presenciou nos que Ernesto fazia. No entanto, o detalhe curioso: o genitor havia falecido há 10 anos e não havia sinais de desgaste no volume à sua frente. 

Ao levar o pacote que recebera na recepção de seu local de ofício até a sua sala, Cony dá início à rememoração de sua relação com o pai. Começa assim, a desvelar para o leitor a sua história, o elo paterno e, de quebra, dos demais familiares.

Ernesto inspirou e influenciou a escolha pelo jornalismo do filho, pois também exerceu a profissão e esteve em momentos cruciais da história brasileira, com ênfase nos acontecimentos políticos. E em cada aventura/desventura e desvario do pai, o olhar de Carlos Heitor resultou em admiração, compreensão e condescendência, por mais que discordasse ou sofresse a consequência de um ato excêntrico de Ernesto.

Assim, o texto vai apresentando a vida de Cony e de Ernesto, sempre em memórias, sempre com o embrulho à frente, provocativo, embrulho esse que o filho reluta em abrir, antes de compreender a trajetória dele (o pacote), já que o remetente há uma década está em outra dimensão.

Um clássico, sem dúvida.

Publicado em 1995, possui 216 páginas, a editora é a Companhia das Letras.

quarta-feira, 15 de novembro de 2023

Literatura


Dica de Leitura

Pôsto 6 - Carlos Heitor Cony


Obra espetacular do escritor carioca falecido em 2018, que reúne crônicas publicadas originalmente no Correio da Manhã e Folha de São Paulo entre 1963 e 1965, período efervescente da vida brasileira, isto é, pouco antes e durante o golpe militar (1964). Certamente, como Cony era um cronista do dia-a-dia, o seu texto se debruçou de forma competente e contundente sobre o momento político vivido pelos brasileiros.
O livro é dividido em duas partes: Crônicas e Política, ainda. Através delas, além do retrato da sociedade do país e, em especial, a do Rio de Janeiro, o autor desfila todo o seu repúdio ao ditador,  seus asseclas e puxa-sacos, com exuberância no trato com as palavras e ideias claras.
Lógico! Sendo um opositor ferrenho ao golpe civil e militar, Cony não escaparia à prisão e perseguições, porém, ele superou tudo e com a volta da democracia, até virou membro da Academia Brasileira de Letras.
Lançado em 1965 pela Editora Civilização Brasileira, possui 227 páginas. Os exemplares vinham numerados, o meu é o 0049.

domingo, 20 de março de 2022

Literatura


Dica de Leitura

O Caso Lou - Carlos Heitor Cony 


Esta é uma obra histórica; trata-se do primeiro romance-reportagem da literatura brasileira. O autor com seu texto maravilhoso narra o rumoroso caso dos assassinatos na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro no final de 1974, onde os maiores suspeitos e, por fim, condenados foram Maria de Lourdes Leite de Oliveira, a Lou, mais seu amante, o engenheiro de cartografia Vanderlei Gonçalves Quintão, que assassinaram dois ex-namorados dela, Vantuil e Almir.

Por Lou pertencer a "classe média" e ter já uma morte nas costas, um atropelamento de carro, que foi arquivado e seu pai ser da ativa do Exército Brasileiro, ela nunca temeu pelo seu julgamento.

Cony consegue colocar diversas versões, que lembram o clássico Rashomon do diretor Akira Kurosawa; também abriu espaço para várias obras neste segmento, entre elas, Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia e Araceli, meu Amor, autor de ambas, José Louzeiro.

É um livro espetacular, porque, além do ineditismo deste gênero no Brasil, une um crime de grande repercussão com uma escrita bem construída e atraente.

Lançado em 1975, possui 176 páginas. O meu exemplar é da Editora Civilização Brasileira.