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domingo, 17 de janeiro de 2016

Literatura


Dica de Leitura


A Face do Abismo - Charles Kiefer



Um dos maiores escritores vivos do Rio Grande, Charles Kiefer a cada obra dá um passo evolutivo em sua já qualificada produção cultural. Está aí Dia de Matar Porco, seu último romance.
Mas é de A Face do Abismo que vou colocar algumas linhas. Kiefer sem perder a referência de sempre, a sua Pau D'Arco, cidade ficcional, que remete a Três de Maio, sua terra natal e inspiração de grande parte de sua bibliografia; neste A Face ..., ele cria San Martin, um lugarejo próximo de Pau D'Arco, cujo povoamento é iniciado por José Tarquino Rosas, um filho ilegítimo de San Martin (não o herói da Argentina) e Almerinda Rosas, esta, filha de um tropeiro uruguaio e uma índia guarani.
Com o tempo, inevitavelmente, San Martin cresce, principalmente pela chegada de colonos alemães, que emprestam seus costumes ao local.
Os índios e feras são caçados como animais indistintamente, chegam próximo à extinção, a terra vai sendo descaracterizada com o desmatamento em nome do progresso, até que chega o dia da triste notícia: A cidade deixará de existir, justamente pelo progresso, uma barragem supostamente necessária, inundará San Martin. Aí a história já se encontra na década de 70.
A Face do Abismo é "parente" dos livros de Roberto Bitencourt Martins, Érico Veríssimo e de Jorge Amado, porém, tem sua localização geográfica bem determinada, trabalhando a questão da colonização germânica mais presentes nas obras de Josué Guimarães. 
Nele, observamos líderes políticos (coronéis), as "primas" do prostíbulo, a religiosidade forte, no caso, a protestante, os desvalidos, a tímida oposição ao regime federal e local e até um dono de bar, um dos pontos de encontro na cidade tão presente nas obras dos demais autores citados.
Gostei demais e recomendo; aliás, o que Kiefer produziu que não é belo?
Produção de 1988, o meu é da 2ª Edição. Possui 168 páginas.  

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012


Dica de Leitura


                 Quem Faz Gemer a Terra - Charles Kiefer



Li o meu exemplar, 3ª edição no ano de 1993. Foram 3 livros de autores gaúchos em sequência: Luis Assis Brasil, José Pozzenato e este de Charles Kiefer. Com sobras, gostei mais do último. Um tema absolutamente de cunho social, mostra a história de Mateus, personagem de origem alemã que sai da zona rural e vai por contingências da vida para um acampamento de população itinerante (sem-terra). Narrado na primeira pessoa, o cotidiano difícil vai sendo desvelado e o desfecho mostra o confronto, inspirado em fato real, dos sem-terra com a polícia militar na capital Porto Alegre. O mínimo que se pode dizer desta obra é que é apaixonante a sua leitura. O meu é da Editora Mercado Aberto e possui 114 páginas.