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domingo, 15 de dezembro de 2024

Literatura

Dica de Leitura

A Infância dos Mortos - José Louzeiro 

O autor é um dos maiores nomes neste gênero literário e a Infância dos Mortos, talvez, a obra mais famosa, depois que Babenco se inspirou nela para criar Pixote, a Lei do mais Fraco, 1980, portanto, três anos após o livro de Louzeiro.

Li em Julho deste ano e fiquei impressionado com blogs e assemelhados que fazem resenha crítica do livro, utilizando a história da telinha, um absurdo, porque o personagem Pixote, para ficar num exemplo das diferenças, morre no início, nas páginas do texto do autor, ou seja, embora lembrado ao longo da trajetória dos meninos, suas desventuras, agruras e luta pela sobrevivência, o personagem Pixote passa distante de ser o foco principal do que é contado no livro.

Na verdade, com situações análogas e final parecido, a Infância dos Mortos, que, após o sucesso do filme, ganhou um subtítulo (Pixote), narra o dia-a-dia de um grupo de "pivetes" que luta para sobreviver. Encaram as dificuldades como abusos e violência doméstica, a perseguição policial, praticam pequenos delitos, sofrem a discriminação de parte das pessoas que cruza o caminho deles, assim, permanecem solidários, criando uma célula familiar mesmo com desajustes e ganham a compreensão de outros elos enfraquecidos como as prostitutas.

 Seguem sonhando com uma vida mais generosa.

O leitor sensível verifica ao correr da trama, que não há redenção para estes meninos e adolescentes, pois são tantas as armadilhas em que caem, por consequência, resta o grupo acuado,  dizimado aos poucos, acumulando frustrações e revoltas dos sobreviventes.

Fica o sentimento que a sociedade civil e o Estado falham no cuidado e recuperação desta parcela, que se defende como pode num confronto desigual, onde representam o lado mais fraco deste complexo mundo das relações humanas.

Escrito em 1977, o meu exemplar é do Círculo do Livro, possui 301 páginas.

Um clássico.

sexta-feira, 29 de abril de 2022

Literatura

 Dica de Leitura

Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia - José Louzeiro


Mais um digno representante do romance reportagem brasileiro. José Louzeiro pegou a trajetória do bandido Lúcio Flávio e a transformou num clássico da literatura do gênero iniciado no Brasil nos anos 70, que Hector Babenco dirigiu com maestria na telona.
Lúcio Flávio, um notório ladrão de bancos, também assassino, tem seus últimos anos de vida contados; ali aparecendo as execuções de dois de seu bando, a sua prisão, torturas, a relação promíscua com o sistema policial e prisional, o amor impossível com Janice e seu filho pequeno e, principalmente, com os líderes do Esquadrão da Morte, grupo paramilitar que agiu com extrema violência ao arrepio da lei durante os anos 70.
O livro, além de conter uma história peculiar até aquele momento, igualmente, é bem narrado, segurando o leitor até a última página.
Lançado em 1982, a Editora é a Civilização Brasileira, possui 202 páginas.
Grande leitura, sem dúvida.