Aqui vou tratar quase que exclusivamente de Música,Cinema e Literatura. Sugestões que serão pontuadas pela curiosidade, qualidade e algumas pela indisponibilidade na rede mundial.
Ontem, 07, faleceu aos 73 anos Luiz Sérgio Carlini, um dos maiores guitarristas do Brasil, quiçá do mundo. Cedo, ele e sua banda participaram dos fantásticos álbuns de Rita Lee, "Fruto Proibido" e "Entradas e Bandeiras", ambos da metade da década de 70.
Como já postei aqueles que a banda acompanhou a ex-Mutante, deixo este sem a sua "madrinha", de 1980, desprezado à época, porém, com a passagem do tempo, recebeu o reconhecimento.
A segunda dica de filme recente é este espanhol, baseado numa peça teatral com apenas quatro personagens, três irmãos, Victor (Javier Gutiérrez), Natália (Carmen Machi) e Julián (Javier Cámara), e a companheira deste, Carol (Alejandra Giménez).
Parte da história é narrada por Carol, uma enfermeira, sempre olhando para a câmera (para o espectador); a outra parte narra as desavenças e diferenças entre os irmãos no que diz respeito ao modo de vida de cada um, mas com o ponto comum de descuidarem do pai, que dá sinais de senilidade, o que obrigará um cuidado mais efetivo do trio. Mas quem? O ator com dificuldades financeiras (Julián), o bon vivant, casado com uma mulher rica, que lançou seu primeiro romance (Victor) ou uma professora?
Victor e Natália dão sustentação econômica ao pai e, lógico, raciocinam que Julián não dá a devida contribuição afetiva, já que esta é a forma de compensação pela ausência dele na partilha de custos com o pai.
Assim, em duplas ou os três juntos, as distensões familiares guardadas ao longo dos anos vão aflorando de forma mais intensa, tendo Carol como um elemento que faz o contraponto, permitindo reflexões para quem assiste.
O final é surpreendente e impactante, porque é impossível não associar a narrativa com acontecimentos da vida real.
A Conexão Sueca - Direção de Thérese Ahlbeck e Marcus Olsson
Duas postagens sobre filmes recentes. Primeiro esse sueco que trata do sempre sensível tema da perseguição aos judeus durante a Segunda Grande Guerra. Parece ser um assunto inesgotável e esta obra baseada em fatos reais corrobora este sentimento.
Em 1942, Estocolmo, um servidor público sueco, Engzell (Henrik Dorsin), e sua equipe, em especial, a Srta. Vogl (Sissella Benn), a mais jovem integrante, vê-se diante de um dilema, qual seja, trazer de volta para a Suécia judeus suecos, eles que estão correndo riscos de ir para os campos de extermínio e estão esparramados por diversos países europeus.
Ele, Engzell, é considerado um subalterno de pouco brilho, assim como o seu setor, que está instalado num pequeno porão, sem a importância na hierarquia burocrática do seu ministério. Em tese, nada de relevante poderia sair dali.
Além disso, a Suécia manteve durante a guerra uma "política de neutralidade", os principais dirigentes optavam sempre por ignorar as atrocidades que o Nazismo cometia. São apenas rumores, asseveravam.
Com o sangue novo no staff (Rut Vogl), a situação muda, pois o pacato e discreto Engzell, que seguirá "discreto", enceta uma série de ações para repatriar os judeus suecos, o que lhe dará muito trabalho no enfrentamento natural dos alemães e de suas chefias, sempre tementes a uma represália dos nazistas, a maior, a possível invasão ao seu país.
Buscando brechas burocráticas, a equipe de Engzell salvou mais de 100 mil judeus na Europa.
Apesar do tema, o filme dá espaço para a comicidade e torna leve o desenrolar da trama.
Fechando abril, que dediquei ao país irmão, escolhi esta obra que está completando 50 anos e é muito conhecida pelo filme que ela inspirou (direção do argentino Hector Babenco), estrelado por Raul Júlia, Sônia Braga e William Hurt.
Na cadeia, em Buenos Aires, na metade dos anos 70, Valentin e Molina, o primeiro, um contestador da política argentina que vive uma ditadura militar, o outro, um homossexual, cumprindo pena por "corromper menores". O passatempo deles é falar sobre filmes, nos quais Molina narra vários para Valentin, detalhadamente, em especial, Cat People, no Brasil, O Sangue da Pantera.
Com o passar do tempo, o desdém de Valentin vai se transformando em respeito e afeição por Molina, que acaba libertado, mas vigiado, porque a repressão entende que ele poderá ser uma fonte de informações sobre os companheiros de Valentin.
O fim trágico deixa claro que se trata de uma obra política e social, entre críticas à ditadura vigente e à opressão sexual daqueles tempos.
Lançado em 1976, possui 248 páginas; a editora é a Todavia.
Norma Aleandro nasceu Norma Maria Aleandro, no dia 2 de maio de 1936, em Buenos Aires, Argentina. Alguns de seus filmes são: A História Oficial (La Historia Oficial-1985), Gaby, uma história verdadeira (Gaby: A True Story-1987) e O Filho da Noiva (El Hijo de la Novia-2001).
A banda Fricción formou-se em 1985 com dois "monstros" da música argentina: Gustavo Ceratti (Soda Stereo) e Fernando Samalea (êxito em carreira solo), guitarrista e baterista, respectivamente. Completavam o grupo o líder Richard Coleman (vocal e guitarra), Christian Basso (baixo), Gonzo Palacios (saxofone) e a vocalista Celsa Mel Gowland.
Em 1986, lançaram o álbum de estreia, este que posto.
Banda formada na segunda metade dos anos 60, cujo principal integrante era Gustavo Santaolalla, guitarra e voz, que se transformou num grande astro internacional, inclusive ganhando por duas vezes o Oscar, fruto de trilhas sonoras (Brokeback Mountain e Babel, 2005 e 2006, respectivamente).
Outros integrantes são Guillermo Bomdarampé, baixo, Ara Tokatlian, sopros e teclados e Alberto Cascino, bateria.
Em 1970, ela lançou seu primeiro álbum (homônimo), considerado sua obra-prima.