sábado, 15 de agosto de 2026

Literatura

Dica de Leitura

O Ruído das Coisas ao cair - Juan Gabriel Vásquez 

Recém finalizei esta obra do colombiano, residente na Espanha, Juan Gabriel Vásquez. Um primor, inclusive, elogiada por Gabriel García Márquez e Mário Vargas Llosa.

O livro tem como fundo o período de hegemonia de Pablo Escobar, maior traficante de drogas da América, dos anos 70 até o início dos 90, e a fase pós-queda dele.

Começa com o encontro do professor universitário, o advogado Antônio Yammara, e o estranho Ricardo Laverde, nos momentos de folga do primeiro, num bar, onde se joga sinuca.

Aos poucos, ao longo dos dias, Antônio conhece parte da trajetória de Ricardo, um piloto de aeronaves, sem saber que este passara algum tempo cumprindo "cana" por conta de atividades ilegais junto ao tráfico de drogas.

Um dia, ambos andavam descontraidamente pelas ruas de Bogotá, quando motoqueiros alvejaram e mataram Laverde, ferindo gravemente, também, Antônio.

A partir deste acontecimento, já recuperado do atentado, o professor, que é casado com Aura, que espera a primeira filha (Letícia), buscará desvendar os mistérios que a vida pregressa de Ricardo esconde.

Uma outra personagem entra na trama com muita força: é Maya, a filha que o morto teve com Elaine Fritts, uma norte-americana ativista de um grupo chamado Corpo de Paz, que atua em regiões de intensas fragilidades socioeconômicas na Colômbia.

Elaine, que Ricardo sempre chamou de Elena, morre num acidente de avião, e este fato é mais um condimento no desenvolvimento da história.

Com esses quatro personagens centrais (Antônio, Maya, Aura e Ricardo), o autor produz um romance em que vidas comuns são afetadas de forma irreversível pelo ambiente de tráfico de drogas. Contudo, ele (Vásquez) não traz na sua narrativa a violência explícita que filmes e livros costumam apresentar.

Um dos melhores livros que li nos últimos anos.

Escrito em 2011, a editora é a Alfaguara. Possui 247 páginas.




quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Galeria

Galeria 

Sara Lezana nasceu Sara Lezana Mínguez, no dia 5 de março de 1948, em Madri, Espanha. É atriz e bailarina. Alguns de seus filmes são: Tiroteio em Red Sands (Gunfight at the Red Sands-1963), A Morte de um Pistoleiro (Joaquín Murrieta-1965) e A Queda dos Moicanos (Uncas, el fin de una Raza-1965).


terça-feira, 11 de agosto de 2026

Música

Milton - Milton Nascimento 


Um clássico irretocável do grande artista mineiro nascido no Rio de Janeiro.

Neste álbum, o quarto dele, está a música Clube da Esquina, ausente no álbum duplo homônimo (não confundir com a Clube da Esquina 2). 

Além dela, há músicas fantásticas como "Para Lennon e McCartney", "Maria Três Filhos", a citada "Clube da Esquina", "Durango Kid", "A Felicidade", entre outras, além de bônus como "Aqui é o país do futebol" e "Tema para Tostão".

Neste trabalho, Milton Nascimento contou com a participação do Som Imaginário (Rodrix, Wagner Tiso, Robertinho Silva, Luiz Alves, Tavito e Fredera), também com Naná Vasconcelos, Lô Borges e... Dorival Caymmi numa faixa.

Segue o disco de 1970:








domingo, 9 de agosto de 2026

Música

Cosmotron - Skank 


Lançado em 2003, Cosmotron é considerado pelo líder e vocalista, Samuel Rosa, como sendo o melhor trabalho da sua banda, Skank.

Para quem gosta e conhece as influências do grupo, percebe logo traços dos Beatles e dos mineiros que formaram a "escola" Clube da Esquina.

Seguem algumas faixas deste clássico brasileiro:








sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Cinema

Rafa - Direção de Zach Heinzerling 

Excelente série da Netflix sobre o fenomenal tenista espanhol, Rafael Nadal. São quatro episódios, onde o fato mais saliente é a força de vontade, a obstinação do tenista multi campeão do Grand Slam e vencedor de duas Olimpíadas.
Suas lesões ainda em início de carreira prenunciavam um ciclo curto e de pouca visibilidade no tênis. Ele as superou e desafiou tantas outras ao longo de sua longeva trajetória neste esporte.
São momentos de extremas dificuldades pelos tratamentos, atuações com dores quase insuportáveis, cirurgias e algumas derrotas doídas, portanto, a série não indica apenas os momentos felizes nas quadras e fora delas, mas com o apoio da família e uma férrea determinação, Rafael Nadal mostra como se faz um campeão.
Aos 40 anos e com 22 Grand Slams, Nadal ultrapassa qualquer um deste esporte recheado de estrelas.
Imperdível.
É de 2026, cada episódio tem cerca de 60 minutos.
Segue o trailer:




domingo, 2 de agosto de 2026

Cinema

 Boîte Noire - Direção de Yanni Gozlan

O filme aborda o tema da aviação civil, focando em um desastre aéreo no qual 300 pessoas pereceram em um voo de Dubai para Paris; trata-se de uma ficção que não deve nada aos fatos reais.

A análise da caixa preta (o mesmo título em francês) caberá ao maior especialista da companhia, Mathieu (Pierre Niney), mas que inicialmente será "escanteado" pela chefia imediata, o que gera um desconforto para ele.

Após o sumiço de Victor Pollock (Olivier Rabourdin), o tal chefe imediato, não resta ao comando geral, na figura de Philipe Renier (André Dussolier), recrutar Pierre, e ele começa as investigações pela caixa-preta e seus ruídos quase inaudíveis com relativo êxito.

A esposa dele, Noémie (Lou de Laâge), e seu melhor amigo, Xavier (Sébastien Pouderoux), também atuam na mesma área em empresas concorrentes que terão um papel importante nos desdobramentos da história, no vai e vem da trama e nas surpresas que fazem o espectador se tornar um expectador, dadas as importantes reviravoltas que o caso apresenta.

É lógico que há várias películas tratando desta mesma temática, porém, essa apresenta um personagem principal falível, vacilante, mas, ao mesmo tempo, que retoma a perspectiva de superação, pois no passado cometeu um erro importante, que quase inviabilizou sua carreira como engenheiro aeronáutico.

Até a chegada ao epílogo, o filme deixa sempre dúvidas quanto às causas do desastre: falha mecânica, atentado terrorista, boicote da concorrência?

Produzido em 2021, com 129 minutos, Caixa Preta foi bem acolhido pelo público e crítica. 

Segue o trailer oficial:







quinta-feira, 30 de julho de 2026

Literatura

Dica de Leitura

Vera - José Falero 

Li há menos de um mês (e assisti à live com o autor) esta obra do gaúcho José Falero e fiquei muito feliz com essa leitura, ao mesmo tempo prazerosa e reflexiva.

Vera é uma das várias personagens femininas que dominam a trama; os homens são coadjuvantes, até bem discretos, todos servindo de "escada" para a história delas. 

O cenário retratado é uma vila no interior da Lomba do Pinheiro (Porto Alegre), onde quatro irmãs, mais a mãe e filhos (leia-se netos dela), se sustentam dividindo espaços exíguos, casas e acomodações. 

São mulheres com ocupações de baixa renda ou "bicos" eventuais e, no caso de uma delas, sem emprego, que dá sustentação "operacional" às demais nos afazeres domésticos, assim como Dona Helena, a matriarca, já aposentada.

Vera trabalha num condomínio de classe média no bairro Menino Deus, onde também estão seguranças do prédio, em especial Marcelo, que sonha em "pegar" a faxineira. Sem dar spoiler, cito que essa intenção trará desdobramentos fortes no final do livro.

Outra relação importante que Falero cria no cotidiano da vila é a luta dos moradores contra a truculência de parte da polícia, o que amplia o fosso entre essa parte da sociedade e as demais que vivem em locais com mais infraestrutura (ruas, luzes, água, segurança, transporte coletivo mais racional).

Não é apenas na relação com a polícia de rua que a face desigual da história se revela; essa facêta também se manifesta no tratamento, seja no acesso a postos de saúde, seja no registro de boletins de ocorrência e nas desconfianças entre aqueles servidores que estão no mesmo patamar social, mas que, em suas atribuições, exercitam a mesma discriminação quando há confronto de versões de um fato.

É uma obra sensível, tocante, que comporta personagens simples, mas de grande empatia, como o menino Davi, o "faz-tudo" Aroldo e outros que causam repulsa, como Péterson, o patrão de Vera ou o cretino que se "esfrega" nas mulheres nos ônibus super lotados. E isto, citando apenas figuras masculinas, periféricas no enredo.

Mas vai além destes citados, a grandeza do xadrez social que Falero oferece.

Uma grande leitura que, para quem gostou, traz uma notícia esplêndida: Vera é a primeira parte de uma trilogia sobre este tema.

Produzido em 2024, possui 304 páginas e a editora é a Todavia.