segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Cinema

Crônica de uma Fuga - Direção de Israel Adrián Caetano 

Uma película argentina pesadíssima, ainda que sem grandes cenas de violência física. No entanto, a psicológica esteve presente em quase toda a narrativa. Que coisa! Como o ser humano desce ao ponto de perpetrar humilhações e torpeza com o outro, muitos deles, sem saber exatamente o porquê de suas ações. Uma alienação completa.

A trama é inspirada em obra de Claudio Tamburrini, um dos jovens sequestrados e torturados no final de 1977, que ficou prisioneiro na terrível Mansión Seré, uma casa em Morón, cidade situada na grande Buenos Aires.

Claudio (Rodrigo de la Serna) ao chegar em casa, após atuar como goleiro numa partida de futebol amador, onde sua mãe estava sendo interrogada e sofrendo pressões para revelar as atividades "subversivas" do filho, acaba preso. 

Ele descobre que, para ser aliviado das torturas, Tano (Martín Urruty) deu o seu nome aos repressores, mas apenas para possibilitar tempo aos seus companheiros.

 Na verdade, Claudio não tem nada a ver com as ações realizadas contra o governo usurpador. Não era ele o proprietário do mimeógrafo (mote para a prisão) que produzia panfletos contra o governo militar.

Em condições sub-humanas, nus, vendados, com alimentação precária, sofrendo torturas físicas e, principalmente, psicológicas, os prisioneiros têm uma certeza: jamais sairão vivos dali, mesmo sem envolvimento com grupos radicais, afinal, eles, agora, inocentes ou não, são provas de tudo o que está ocorrendo de violações à vida na Argentina.

A situação muda quando Guillermo (Nazareno Casero) "cai" e vai ser juntado aos demais prisioneiros. É ele, o "homem do mimeógrafo", e, embora muito enfraquecido fisicamente, vai tentar a fuga. 

Para isso, ele contará não apenas com Claudio, mas também com Gallego (Lautaro Delgado) e Vasco (Matías Marmorato).

Produzido em 2006, possui 104 minutos.

Segue o trailer oficial:



domingo, 6 de setembro de 2026

Literatura

Dica de Leitura

Farda Fardão Camisola de Dormir - Jorge Amado 

Era um desejo antigo reler esta obra do mestre baiano, pois, noutros que li (e a sua biografia comprova), as histórias se ambientam na Bahia, e este que apresento é no Rio de Janeiro, à época, capital do país na década de 40, período da Ditadura Vargas e fase em que o governo nacional nutria simpatias pelos países do Eixo envolvidos na Segunda Grande Guerra.

A ficção começa com a vacância de uma das cadeiras da Academia Brasileira de Letras (aliás, em 1961, Amado foi eleito para ela e, certamente, usou todo o seu conhecimento dela para escrever esta trama).

 O poeta Antônio Bruno morre em Paris, vítima de um infarto, justamente no período da ascensão nazista na Europa e o único candidato à vaga é o coronel Agnaldo Sampaio, um militar ligado à truculência do Estado e simpático ao nazifascismo. Tem o apoio interesseiro do desembargador e professor Lisandro Leite.

Prontamente, há uma reação ao nome por parte de uma parcela da Academia, em especial porque a cadeira vazia é de um boêmio, sedutor e, principalmente, de um democrata. Mas quem poderia enfrentar o coronel naquele momento, em que os militares estavam no auge do governo Vargas?

Após muito pensar, o anti-candidato escolhido com chances de reverter o favoritismo de Sampaio é, justamente, outra pessoa da caserna. Quem? O general Waldomiro Moreira, embora tenha uma produção literária pequena e irrelevante, é o anti-candidato escolhido. Até de uma patente mais relevante na carreira do Exército.

A luta pelo convencimento dos votantes começa, oferecendo a Jorge Amado a oportunidade de expor críticas sociais, econômicas e políticas, revelando os interesses escusos dos apoiadores dos candidatos, a veia amorosa e envolvente do falecido poeta, e a vaidade humana que permeia quase todos os personagens envolvidos no processo eletivo da Academia, onde o ponto culminante é a mudança de atitude de Waldomiro, que, antes da eleição, já se achava o ungido, com direito a regalias estranhas até aos mais antigos "imortais".

  Uma sátira não apenas ao cenário da história, mas ao estágio final da ditadura militar iniciada em 1964, que dava sinais de esgotamento no final dos anos 70, início dos 80.

Escrito em 1979, a editora é a Record e possui 239 páginas. O meu exemplar é da primeira edição.

Ótima leitura.


terça-feira, 1 de setembro de 2026

Galeria

Galeria 

Mariana Santangelo nasceu Mariana Belen Santangelo, no dia 21 de novembro de 1975, em Buenos Aires, Argentina. Alguns de seus filmes são: Nesta Vida Complicada (En la Puta Vida-2001), O Alquimista Impaciente (El Alquimista Impaciente-2002) e Miente (Miente-2009).




sábado, 29 de agosto de 2026

Música

 Totem - Rubén Rada


Faleceu esta semana Rubén Rada, o mais destacado representante do candombe, o ritmo afro-americano do Uruguai. Possuía 83 anos e uma carreira deslumbrante.

Como homenagem, posto este disco realizado em 1971, em que Rada integrava o grupo Totem (ele nos vocais + Eduardo Useta, guitarra, Mario "Chichito" Cabral, percussão, Roberto Galletti, bateria, Daniel "Lobito" Lagarde, baixo e Enrique Rey, guitarra).

Segue o álbum na íntegra:



quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Música

Cauromi - Eustáquio Sena 

Eustáquio, um dos mais famosos e competentes produtores de álbuns icônicos como "Acabou Chorare", dos Novos Baianos, além de uma trajetória vencedora noutros trabalhos junto a Ronnie Von, Leno e Lílian, Alceu Valença, Djavan, Jair Rodrigues, Originais do Samba, Baiano e os Novos Caetanos (Chico Anysio e Arnaud Rodrigues) e responsável por muitas trilhas sonoras de novelas da Rede Globo pelo selo Som Livre.

Com toda essa capacidade (e influência), ele trouxe para o seu primeiro disco (1980) talentos como Zé Ramalho, Jorge Mautner, Robertinho de Recife, Paulinho Braga, Chico Batera, Manduka, Jamil Joanes e a dupla Robson Jorge e Lincoln Olivetti.

Segue o disco na íntegra:





segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Cinema

O Banheiro do Papa - Direção de César Charlone e Enrique Férnandez 

Uma das melhores películas realizadas em solo uruguaio, numa produção de três países (Uruguai, França e Brasil).

Inspirada em fatos reais que ocorreram no povoado de Melo, próximo à divisa com o Brasil, a história mostra como a pequena localidade lidou com a expectativa da passagem do Papa católico, João Paulo II, algo que efetivamente não estava nos planos do Sumo Pontífice, mas que agitou os uruguaios.

A possível vinda de milhares de fiéis a Melo mexeu com a vida dos moradores no afã de obterem vantagens econômicas, o que determinaria um alívio à combalida rotina que passavam há anos, sobreviventes do instável comércio na fronteira dos dois países.

Dentre as várias ideias surgidas, uma, criada por Beto (César Troncoso), parecia genial, ou seja, a disponibilização de um banheiro, onde os visitantes poderiam usar durante a visita papal. 

A cidade se entusiasma e até mesmo as pessoas mais lúcidas são tentadas a acreditar no êxito financeiro que uma rápida passagem do religioso poderia atrair cerca de 80 mil devotos, e muitas se desfazem de tudo ou quase isso para montar barraquinhas ao longo do suposto trajeto que o Papa cumpriria.

Com poucos atores profissionais, a película cumpre bem e se equilibra satisfatoriamente entre o drama e a comédia.

No elenco estão Virgínia Méndez (esposa do protagonista) e Mario Silva como Valvulina.

Lançado em 2008, possui 90 minutos.

Segue o trailer:



terça-feira, 18 de agosto de 2026

Cinema

La Belle Époque - Direção de Nicolas Bedos 

Uma comédia romântica leve e criativa, recheada de grandes atores e um diretor de sucesso (Bedos).

A história começa com Victor (Daniel Auteuil) e Marianne (Fanny Ardant), um casal com mais de 60 anos, que está se afastando, consequência de um relacionamento frio, em parte, pela amargura do homem. Ele, que é cartunista às antigas, está desempregado e não tem intenção de se inserir no mercado tecnológico, que vai, inevitavelmente, substituir o impresso pelo digital.

Marianne sente o relacionamento ruir e põe Victor para fora da casa e, de certa forma, de sua vida, pois já tem um amante, Pierre (papel de Denys Podalydés).

Ao conhecer Antoine (Guillaume Canet), dono de uma empresa de entretenimento que mescla presente e passado aos interessados, este lhe propõe realizar seu maior sonho, o que ele, Victor, gostaria de reviver. 

O desenhista escolhe o ano de 1974, fase em que conheceu Marianne, o grande amor de sua vida, fato que ocorreu num bar chamado La Belle Époque, em Lyon.

Assim, Antoine providencia cenários e atores que viabilizam o desejo de Victor, que, na representação, é o único real, ainda assim, tentando pensar e agir conforme era neste período.

Vale dizer que tudo está como em 74: figurino, músicas, arquitetura, isto é, uma viagem no tempo, sem ser ficção científica

Entretanto, Victor acaba se apaixonando pela atriz que interpreta a jovem Marianne (Dora Tillier), que, por coincidência, é namorada de seu filho na vida real. Ele não tinha conhecimento da relação dos jovens.

Ao mesmo tempo, nos momentos em que vive o presente, ele conquista uma vaga na equipe de Antoine e começa a se adaptar às novas tecnologias de sua profissão, recuperando a auto-estima.

Resta saber como ele vai lidar com sua nova paixão sem perspectivas (a atriz) e a possibilidade de reatar com Marianne, que vive várias decepções com o novo instante ao lado de seu "affair".

Realizado em 2019, possui 116 minutos.

Segue o trailer: