quinta-feira, 9 de julho de 2026

Literatura

Dica de Leitura

Roberto Carlos (por isso essa voz tamanha) - Jotabê Medeiros 

Custei a ler a biografia de Roberto Carlos, porque o que conferi na mídia dá conta de muito assunto que não me interessa, mas esta eu encarei, porque o autor, Jotabê Medeiros, tem duas obras biográficas excelentes, as de Belchior e Raul Seixas.

O relato começa na ida da família Braga de Mimoso do Sul para um centro maior no Espírito Santo, Cachoeiro do Itapemirim. Lá seguiram Seu Robertino, Dona Laura, grávida de Roberto, e os demais filhos. O futuro rei foi o único nascido em Cachoeiro.

Roberto, por ser o caçula, teve seus privilégios com uma infância feliz, mesmo tendo o trauma do acidente que lhe tomou um pedaço da perna direita. Cedo, ele se envolveu com a música, que fez parte de sua vida "desde sempre", com aulas de piano e violão.

O autor narra a ida para o Rio de Janeiro, mostra as primeiras fãs incondicionais e perenes (de sua terra natal), os amigos da infância, que ele, ao longo da carreira, deu suporte financeiro, a transa inicial com a Bossa Nova, a turma da Tijuca: Erasmo, Tim Maia, Jorge Ben e apoio recebido por meio de Carlos Imperial, a descoberta do rock.

Há, ainda, o período paulistano que criou um dos maiores movimentos musicais do país, a Jovem Guarda, também, a guinada do final dos anos 60, tornando sua música mais romântica, a carreira internacional e, claro, os relacionamentos afetivos, suas esposas, mas, o texto pouco comentou sobre os seus filhos, o que considero "ponto para o escritor". 

Não faltou a descrição de sua forte formação religiosa, a católica, oriunda do lado materno.

O livro também apresenta toda a sua discografia detalhada e fotos das várias fases da vida do capixaba, ícone da cultura brasileira.

A editora é a Todavia, possui 512 páginas e foi lançada em 2021.





segunda-feira, 6 de julho de 2026

Galeria

Galeria 

Siri Svegler é cantora, atriz e compositora, nascida em Gotemburgo, Suécia, no dia 15 de abril de 1980. Alguns de seus trabalhos são: Tróia (Troy-2000), A Linha da Beleza (The Line of Beauty-2006) e Azul Safira (Sapphire Blue-2013).


sexta-feira, 3 de julho de 2026

Música

Cinema Transcendental - Caetano Veloso 


Dando continuidade às duas postagens de discos notáveis produzidos na virada das décadas de 70 e 80, publico este, de 1979, que é um dos meus preferidos do gênio baiano. 

Há vários clássicos que podem induzir um ouvinte distraído a pensar que se trata de uma coletânea.

Segue o disco:



quarta-feira, 1 de julho de 2026

Música

De Pé no Chão - Beth Carvalho 

Para começar o segundo semestre, eu escolhi dois discos brasileiros irrepreensíveis, produzidos na virada dos anos 70 para 80. 

O primeiro é de Beth Carvalho, chamado "De Pé no Chão", e é considerado aquele que deu uma guinada positiva na carreira da madrinha do Botafogo, entre outros títulos.

Há, entre as músicas, contribuições extraordinárias com composições de Jorge Aragão, Monarco, Beto sem Braço, Cartola, Nelson Cavaquinho, Nelson Sargento, Candeia, Martinho da Vila, entre outros.

Seguem algumas faixas desta obra-prima de 1978:








domingo, 28 de junho de 2026

Cinema


Amrum - Direção de Fatih Akin

 Filme mais recente do diretor Fatih Akin, o segundo que posto aqui - Em Pedaços. Trata-se desta bela película que, no Brasil, recebeu o nome de "Uma Infância Alemã".

A história se passa na ilha de Amrum, na Alemanha, no final de abril de 1945, portanto, na derrocada de Hitler e do sonho de boa parte dos alemães.

O lugar é diminuto e essencialmente rural, onde moram o menino Nanning (Jasper Billerbeck), sua família composta pela mãe, Hille (Laura Tonke), no último mês de gravidez, os irmãos menores e a tia Ena (Lisa Hagmeister), esta, a única que percebe a derrota nazista se aproximando. O pai está no front (o que se deduz).

A penúria é a tônica do cotidiano na ilha e Nanning, além de estudar, ajuda na plantação de batatas de Tessa (Diane Kruger), que há tempos percebe que o caminho do país está errado e o fim perto, principalmente quando um grupo de andarilhos alemães, na maioria crianças, chega à ilha para se livrar dos bombardeios em Berlim e da invasão soviética. São retirantes, sem eira, nem beira.

Hille dá a luz a sua filha e, diante do futuro desolador para ela, francamente a favor do governo hitlerista, entra em depressão. Para aliviar em parte o seu sofrimento, Nanning resolve cumprir o desejo dela de comer pão de farinha branca com açúcar e mel, ingredientes difíceis de serem encontrados naquele contexto.

A odisseia que o menino vive para realizar esse intento é o mote para mostrar o contexto desta ilha, onde a população deseja o fim imediato da guerra, mesmo que isso represente humilhação e interrogações no que poderá vir com os novos ventos que determinarão o rumo da nação.

Lançado em 2026, possui 93 minutos.

Segue o trailer oficial:



segunda-feira, 22 de junho de 2026

Cinema

A Incrível Eleanor - Direção de Scarlett Johansson

A estreia da competente e bela atriz Scarlett Johansson não poderia ser mais feliz. É um filme singelo e tocante, com atuações marcantes de atrizes veteranas como June Squibb, no papel central, Eleanor, e Rita Zohar, como a amiga falecida.

Eleanor, após uma grande perda, resolve sair da Flórida e ir para Nova Iorque, desejando recriar laços afetivos mais sólidos com sua filha e neto. Porém, não encontrou esse ambiente imaginado, aí, em busca de ajuda, resolveu participar de um grupo de apoio e no seu depoimennto acabou contando uma história que ela imaginava não ter maior repercussão. No entanto, a situação toma uma dimensão acima do esperado e suas revelações despertam o interesse de uma jovem jornalista (Erin Kellyman), que acompanhou a sessão daquele grupo e se aproxima de Eleanor, estreitando os vínculos até se tornarem amigas.

À medida que Nina, a jornalista, avança nos relatos de Eleanor, estes fogem do controle da idosa senhora com consequências imprevisíveis, que afetam a sua família e a rotina desejada por ela, quando mudou o seu endereço e destino.

No elenco estão também, Chiwetel Ejiofor (pai de Nina) e Jessica Hecht (filha de Eleanor).

Produzido em 2025, possui 98 minutos.

Uma pequena obra-prima.

Segue o trailer:





sábado, 20 de junho de 2026

Literatura

Dica de Leitura

O Vento que arrasa - Selva Almada 

Uma surpresa muito positiva esta obra da argentina Selva Almada, nascida no interior de seu país, porque ela construiu uma história passada em apenas dois dias numa região árida com apenas quatro personagens: o reverendo Pearson e sua filha adolescente Elena (Leni), o mecânico Gringo Brauer e o filho "adotivo", Tapioca, também adolescente, duas famílias díspares que proporcionam a exposição das diferentes personalidades forjadas em ambientes desiguais.

Pearson e a filha, sem morada fixa, viajam pelo interior para levar a palavra de Deus e, numa incursão, quando almejavam encontrar um outro pastor, viram-se no meio da estrada com o carro quebrado, sem contato com o mundo. Felizmente, uma boa alma os reboca até a oficina mecânica de Brauer, que vive com Tapioca e muitos cachorros, em especial, o Baio.

Esse encontro dos quatro proporciona à autora construir uma trama que envolve muitos questionamentos, como o relacionamento frio de pai e filha, em que a memória da mãe/esposa é evitada por Pearson. Por outro lado, Tapioca e Brauer se dão bem, apesar de parecer uma relação fria, distante, sem um futuro para o menino, a não ser substituir o "pai" nos negócios dele.

Também a visão prática de Brauer, destoando da divina/mística do reverendo, a ambição sadia de Leni e a falta de perspectiva de Tapioca (José Emílio).

Contribui para o peso da ambiência, a aridez da região, a falta da chuva, que torra a terra e a deixa mais empobrecida no Chaco argentino.

São vidas jovens e adultas que possuem um ponto em comum: as marcas duras de suas experiências, especialmente o elo familiar rompido.

Os poucos flashbacks da narrativa dão indícios do que as duplas vivenciaram até chegar ao relacionamento contido de pontos frágeis que a leitura permite concluir.

Um grande livro.

Lançado em 2012. Possui 112 páginas. A minha edição é da Cosac & Naify.