Aqui vou tratar quase que exclusivamente de Música,Cinema e Literatura. Sugestões que serão pontuadas pela curiosidade, qualidade e algumas pela indisponibilidade na rede mundial.
Uma surpresa no final da película mudou a minha impressão de estar vendo mais uma história previsível nesta obra mexicana que tem parte da trama desenvolvida na Argentina.
A narrativa começa mostrando quatro assaltantes, Leonardo (Jordí Mollá), Mônica (Ana de la Reguera), Sanchez (Tony Dalton) e Leserio (Silverio Palacios) roubando um banco na Cidade do México e, apesar do cerco policial, conseguem completar sua missão e sair ilesos com a grana toda.
A ideia é ir para Bariloche (Argentina) e negociar o fruto do roubo com o Texano (Celso Bugallo).
No entanto, em Buenos Aires, o quarteto é emboscado, fica sem o dinheiro e sofre perseguições, tanto do bando do Texano quanto da polícia, em especial do chefe corrupto Pablo Benes (Oscar Alegre). Mesmo assim, em completa desigualdade de forças, o grupo vai tentar manter a situação sob controle, recuperar a grana e ir para o destino final planejado.
Um clássico da literatura gaúcha, "irmão" de Coxilhas, outra obra inigualável deste intelectual nascido em Encruzilhada do Sul.
Darcy foi professor, escritor e jurista, esta última ocupação com uma vasta produção literária.
No Galpão, recebeu o primeiro prêmio de contos da Academia Brasileira de Letras em 1925.
São 16 textos de uma riqueza e sensibilidade que emocionam o leitor. Ainda tem um glossário sobre o vocabulário riograndense.
A escrita de Azambuja descende diretamente da de Simões Lopes Neto, o que, por si só, é uma referência invejável. Para corroborar, a Editora Globo lançou nos anos 20 do século passado a coleção Províncias com onze livros, o primeiro, justamente, de Simões, o segundo de Augusto Meyer e, logo depois, este No Galpão.
O meu exemplar é de 1955, 7ª edição, possui 226 páginas. Lançado em 1925.
Barbara Shelley nasceu Barbara Teresa Kowin em 13 de fevereiro de 1932, Londres, Inglaterra.
Faleceu em 3 de janeiro de 2021 em Londres, Inglaterra. Alguns de seus filmes são: A Sombra do Gato (The Shadow of the Cat, 1961), A Górgona (The Gorgon, 1964) e Drácula, Príncipe das Trevas (Dracula, Prince of Darkness, 1966).
Meio século do lançamento do único álbum da banda paulista que mesclou rock progressivo (no auge no mundo inteiro) e explorações criativas próprias.
O nome induz a uma comparação com o Secos & Molhados, mas ela não é real. São trabalhos diferentes e com consequências igualmente díspares, já que o trio que lançou o seu primeiro disco em 1973, suas vendas explodiram, tornando o grupo cult imediato. Apenas a gravadora de ambos foi a mesma, Continental.
O pão com manteiga está sendo redescoberto décadas depois.
Demorei três décadas para ver esta obra de Joel Schumacher (O Primeiro ano do resto de nossas vidas, Batman Eternamente, entre outros trabalhos), porque não havia me chamado a atenção.
No entanto, após ler a crítica do jornalista Ticiano Osório (ZH), na qual ele mencionava que certas insatisfações do personagem principal Bill Foster (Michael Douglas), ainda estão presentes em nosso tempo, mesmo sob os olhos de um desequilibrado emocional. Aí, eu fui atrás do filme.
Bill está desempregado (função de engenheiro numa indústria de armas) e, no início da trama, vê-se num engarrafamento à entrada de Los Angeles, justamente no dia do aniversário de sua filha pequena, que tem com Beth (a sempre bela Barbara Hershey), de quem está divorciado.
Bill abandona o carro ali mesmo, parado no trânsito, e sai a caminhar, tentando chegar ao seu destino final, a casa de sua ex-esposa, com quem sonha uma reconciliação.
No caminho, a paciência e a sanidade de Bill são desafiadas por encontros inusitados, como o de descendentes de latinos, provavelmente mexicanos ou porto-riquenhos, que tentam extorqui-lo.
O incidente inicial torna-se uma espécie de "guerra", da qual Bill se safa, matando o bando de delinquentes "chicanos" que o perseguia.
A espiral de brutalidade avança, quando se rebela com o preço de uma Coca-cola num pequeno mercado, ali, destrói algumas prateleiras e ameaça o proprietário; depois, uma cena hilária dentro de um 'fasf food", onde não tem o seu pedido de café atendido.
Mais tarde, o contato com um neonazista (o magistral Frederic Forrest), que o confunde com um simpatizante da causa supremacista e o embaraça, culmina com nova morte.
Enfim, a história desenrola-se; mostra a sociedade doentia que envolve o personagem principal, que, por sua vez, é uma síntese das patologias que afetam boa parte dos norte-americanos.
Paralelamente, outro personagem ganha importância: é Prendergast (Robert Duvall), um policial vivendo o seu último dia de ativo e com sérios problemas conjugais decorrentes de traumas psicológicos da cônjuge (Tuesday Weld). É ele que começa a ligar os pontos que identificam a ação predatória de Bill nos diversos eventos de violência. Ele vai contar na empreitada, somente com a detetive Sandra (Rachel Ticotin).
O decorrer da trama amplia o suspense, porque as possibilidades do final são muitas:
Beth, que tem medida protetiva, se safará da insanidade do ex-companheiro?
Prendergast sobreviverá à sua derradeira ação na caçada do assassino?
Bill conseguirá o seu intuito de se aproximar de sua filha no dia de seu aniversário?
Crônica de uma Fuga - Direção de Israel Adrián Caetano
Uma película argentina pesadíssima, ainda que sem grandes cenas de violência física. No entanto, a psicológica esteve presente em quase toda a narrativa. Que coisa! Como o ser humano desce ao ponto de perpetrar humilhações e torpeza com o outro, muitos deles, sem saber exatamente o porquê de suas ações. Uma alienação completa.
A trama é inspirada em obra literária de Claudio Tamburrini, um dos jovens sequestrados e torturados no final de 1977, que ficou prisioneiro na terrível Mansión Seré, uma casa em Morón, cidade situada na grande Buenos Aires.
Claudio (Rodrigo de la Serna) ao chegar em casa, após atuar como goleiro numa partida de futebol amador, onde sua mãe estava sendo interrogada e sofrendo pressões para revelar as atividades "subversivas" do filho, acaba preso.
Ele descobre que, para ser aliviado das torturas, Tano (Martín Urruty) deu o seu nome aos repressores, mas apenas para possibilitar tempo aos seus companheiros.
Na verdade, Claudio não tem nada a ver com as ações realizadas contra o governo usurpador. Não era ele o proprietário do mimeógrafo (mote para a prisão) que produzia panfletos contra o governo militar.
Em condições sub-humanas, nus, vendados, com alimentação precária, sofrendo torturas físicas e, principalmente, psicológicas, os prisioneiros têm uma certeza: jamais sairão vivos dali, mesmo sem envolvimento com grupos radicais, afinal, eles, agora, inocentes ou não, são provas de tudo o que está ocorrendo de violações à vida na Argentina.
A situação muda quando Guillermo (Nazareno Casero) "cai" e vai ser juntado aos demais prisioneiros. É ele, o "homem do mimeógrafo", e, embora muito enfraquecido fisicamente, vai tentar a fuga.
Para isso, ele contará não apenas com Claudio, mas também com Gallego (Lautaro Delgado) e Vasco (Matías Marmorato).
Produzido em 2006, possui 104 minutos.
Segue o trailer oficial e depoimento de Claudio Tamburrini: