domingo, 2 de agosto de 2026

Cinema

 Boîte Noire - Direção de Yanni Gozlan

O filme aborda o tema da aviação civil, focando em um desastre aéreo no qual 300 pessoas pereceram em um voo de Dubai para Paris; trata-se de uma ficção que não deve nada aos fatos reais.

A análise da caixa preta (o mesmo título em francês) caberá ao maior especialista da companhia, Mathieu (Pierre Niney), mas que inicialmente será "escanteado" pela chefia imediata, o que gera um desconforto para ele.

Após o sumiço de Victor Pollock (Olivier Rabourdin), o tal chefe imediato, não resta ao comando geral, na figura de Philipe Renier (André Dussolier), recrutar Pierre, e ele começa as investigações pela caixa-preta e seus ruídos quase inaudíveis com relativo êxito.

A esposa dele, Noémie (Lou de Laâge), e seu melhor amigo, Xavier (Sébastien Pouderoux), também atuam na mesma área em empresas concorrentes que terão um papel importante nos desdobramentos da história, no vai e vem da trama e nas surpresas que fazem o espectador se tornar um expectador, dadas as importantes reviravoltas que o caso apresenta.

É lógico que há várias películas tratando desta mesma temática, porém, essa apresenta um personagem principal falível, vacilante, mas, ao mesmo tempo, que retoma a perspectiva de superação, pois no passado cometeu um erro importante, que quase inviabilizou sua carreira como engenheiro aeronáutico.

Até a chegada ao epílogo, o filme deixa sempre dúvidas quanto às causas do desastre: falha mecânica, atentado terrorista, boicote da concorrência?

Produzido em 2021, com 129 minutos, Caixa Preta foi bem acolhido pelo público e crítica. 

Segue o trailer oficial:







quinta-feira, 30 de julho de 2026

Literatura

Dica de Leitura

Vera - José Falero 

Li há menos de um mês (e assisti à live com o autor) esta obra do gaúcho José Falero e fiquei muito feliz com essa leitura, ao mesmo tempo prazerosa e reflexiva.

Vera é uma das várias personagens femininas que dominam a trama; os homens são coadjuvantes, até bem discretos, todos servindo de "escada" para a história delas. 

O cenário retratado é uma vila no interior da Lomba do Pinheiro (Porto Alegre), onde quatro irmãs, mais a mãe e filhos (leia-se netos dela), se sustentam dividindo espaços exíguos, casas e acomodações. 

São mulheres com ocupações de baixa renda ou "bicos" eventuais e, no caso de uma delas, sem emprego, que dá sustentação "operacional" às demais nos afazeres domésticos, assim como Dona Helena, a matriarca, já aposentada.

Vera trabalha num condomínio de classe média no bairro Menino Deus, onde também estão seguranças do prédio, em especial Marcelo, que sonha em "pegar" a faxineira. Sem dar spoiler, cito que essa intenção trará desdobramentos fortes no final do livro.

Outra relação importante que Falero cria no cotidiano da vila é a luta dos moradores contra a truculência de parte da polícia, o que amplia o fosso entre essa parte da sociedade e as demais que vivem em locais com mais infraestrutura (ruas, luzes, água, segurança, transporte coletivo mais racional).

Não é apenas na relação com a polícia de rua que a face desigual da história se revela; essa facêta também se manifesta no tratamento, seja no acesso a postos de saúde, seja no registro de boletins de ocorrência e nas desconfianças entre aqueles servidores que estão no mesmo patamar social, mas que, em suas atribuições, exercitam a mesma discriminação quando há confronto de versões de um fato.

É uma obra sensível, tocante, que comporta personagens simples, mas de grande empatia, como o menino Davi, o "faz-tudo" Aroldo e outros que causam repulsa, como Péterson, o patrão de Vera ou o cretino que se "esfrega" nas mulheres nos ônibus super lotados. E isto, citando apenas figuras masculinas, periféricas no enredo.

Mas vai além destes citados, a grandeza do xadrez social que Falero oferece.

Uma grande leitura que, para quem gostou, traz uma notícia esplêndida: Vera é a primeira parte de uma trilogia sobre este tema.

Produzido em 2024, possui 304 páginas e a editora é a Todavia.




sábado, 25 de julho de 2026

Galeria

Galeria 

Lícia Maglietta nasceu em Nápoles, Itália, no dia 16 de novembro de 1954. Alguns de seus filmes são: Morte de um matemático napolitano (Morte di un matematico napoletano-1992), Pão e Tulipas (Pane e Lulipani-2000) e Lua Vermelha (Luna Rossa-2001).


domingo, 19 de julho de 2026

Música

The Hollies - The Hollies 


Com nova postagem sobre Hollies, este de 1974 serve para evidenciar o aperfeiçoamento instrumental, fato que ocorreu com Beatles também. Tá certo, não está mais Graham Nash, mas, dos cinco fundadores, permaneceram neste disco Hicks, Clarke e Elliott, o que garante a identidade da banda.

Neste que é o 14º trabalho, há dois mega sucessos: "Don't Let Me Down" e "The Air That I Breathe".

Seguem algumas faixas:







sexta-feira, 17 de julho de 2026

Música

The Hollies - The Hollies 


A década de 60 presenciou a revolução musical oriunda da "Swinging London", a Londres do Agito, a invasão cultural britânica aos EUA. 

Rolling Stones, The Beatles, The Who, The Kinks, The Hollies, entre muitos, muitos grupos musicais.

Alguns deles, embora o sucesso estrondoso, hoje estão esquecidos ou menosprezados.

Dessa leva, eu escolhi a banda de Graham Nash, que logo sairia para se integrar a Crosby, Stills e Young no outro lado do Atlântico.

O álbum é de 1965.

Seguem algumas faixas do disco:














quarta-feira, 15 de julho de 2026

Cinema

Meu Nome é Agneta - Direção de Johanna Runevad


 Algumas análises ou resenhas classificam este filme como drama, mesmo tendo características desse gênero, eu o identifico mais como uma comédia, porque a interpretação dos principais atores, Eva Melander (Agneta) e Claus Mänson (Einar), consegue manter leve a trama, minorando os obstáculos que ela lhes impõe.

A história começa na Suécia, onde Agneta tem uma rotina insossa, sem previsão de melhora, tanto profissional no departamento de trânsito, quanto afetiva, porque o seu esposo está cheio de atividades individuais como mergulhador e ciclista (até parece ter encontrado um novo amor). 

Os filhos estão crescidos, morando fora de casa, e ela, assim, aos 49 anos, olha para o futuro com pouca esperança de melhores dias. 

Para piorar, ela é demitida, mas isso abre um novo horizonte, quando descobre, por um anúncio de jornal, o emprego de cuidadora de uma pessoa na Provença, França. Resolve investir na vaga, mesmo diante da indiferença e até do ceticismo do companheiro, que imaginou a empreitada como um delírio dela, fadada ao fracasso e ao seu retorno ao lar.

Agneta vai com a cara e a coragem, sofrendo surpresas que a deixam de sobressalto, e a hipótese de desistência passou a acompanhá-la em seus pensamentos.

Para piorar, a criança que ela imaginava ser o objeto de sua contratação, na verdade, é um senhor idoso, homossexual, artista com um cotidiano absolutamente imprevisível e, aos poucos, promove nela uma revolução psicológica, revelando um ser humano diferente, cheio de vida, experimentando possibilidades jamais imaginadas, onde há espaço para conquistar novas amizades e, quem sabe, até um novo amor.

Produzido em 2026, possui 113 minutos.

Um filme para toda a família.

Segue o trailer:





domingo, 12 de julho de 2026

Cinema


Case 137 - Direção de Dominik Moll

Quem for buscar informações sobre o filme encontrará posições díspares: elogios generosos e algumas críticas (não tão depreciativas) que diminuem a avaliação dele.

Estou entre os que gostaram. Trata-se de um caso, o 137, de abuso nas ações dos policiais nas ruas de Paris, com excessos pontuais na repressão às passeatas.

Elas (as ações), ao tentarem reprimir uma manifestação de servidores públicos e simpatizantes da causa (questões salariais e melhores condições de trabalho), atingem com balas de borracha (LBD) um jovem (Guillaume) e prendem outro, Rémi (Valentin Campagne).

Guillaume (Côme Péronnet) fica em estado grave, pois foi atingido na cabeça, e sua mãe e irmã (Sandra Colombo e Mathilde Riu) vão até a responsável pelo setor da polícia que atua na avaliação e acompanhamento dos colegas em suas missões, em busca de justiça.

 É um ofício cruel o de analisar e até punir, quando necessário, os seus colegas de farda.

Stéphanie (Léa Drucker) inicia com mais dois servidores, Benoit (Jonathan Turnbull) e Carole (Mathilde Roerich), o processo investigativo sob os olhares desconfiados dos parentes das vítimas (Rémi e Guillaume) e de reprovação e censura da corporação a que pertence.

Ela, Stéphanie, à medida que avança na busca pela verdade, encontra entraves e obstáculos internos que a colocam entre a sua consciência e seu profissionalismo e o risco de sofrer boicote e até sanções regimentais na carreira, porque certos movimentos que realizou escapam da cartilha de sua função.

Lembrei o clássico de Costa-Gavras, Z, de 1969.

É de 2025, possui 116 minutos:

Segue o trailer: