quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Literatura

Dica de Leitura

Stoner - John Williams 

Aqui está uma obra-prima que ficou muito tempo relegada ao esquecimento. Por quê?

Porque ela trata da narrativa de uma vida absolutamente comum aos olhos dos leitores. William Stoner não tem façanhas, nem momentos demasiadamente marcantes, para o bem ou para o mal.

É uma trajetória descrita de forma linear pelo autor. Começa com a vida simples de Bill (Stoner), junto aos pais agricultores extremamente humildes no estado de Missouri, que a muito custo conseguem enviar seu filho para uma universidade estadual, isso, no ano de 1910, onde ele cursará Agronomia e, após, retornará para auxiliar sua família.

Ocorre que, ao tomar contato com a obra de William Shakespeare, Stoner dá uma guinada nos estudos e muda o curso, abandonando a ideia inicial. 

Ele conclui, avisa tardiamente os pais e segue avançando na vertente que escolheu. Torna-se professor universitário, especialista em Teoria da Literatura Medieval.

Casa com Edith, tem uma filha, Grace, numa relação fria, distante com a esposa e, embora afetiva na infância, aos poucos, também sente a perda do convívio mais intenso com Grace.

Após anos lecionando, sem a ambição de ascender na carreira, Stoner vê seu destino ser desafiado por colegas que miram justamente os melhores postos e não contam com ele para apoiá-los.

A exceção nesta vida sem surpresas e grandes saltos é a presença de Katherine, uma aluna que, por um certo tempo, irá mexer com a ordem do seu dia a dia.

É um texto cru, sem firulas, mas que pega o leitor pela sinceridade, pela ética e correção com que Stoner leva a vida. Uma vida comum.

Lançado em 1965, é da Editora Arte & Letra e possui 299 páginas.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Galeria

Galeria 

Nívea Maria nasceu Nívea Maria Cândido Graieb, no dia 07 de março de 1947, em São Paulo. Alguns de seus filmes são: Dona Flor e seus dois maridos (2017), Um Caso do Outro Mundo (2022) e Senhoras (2024).

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Música

Roberto Carlos - Roberto Carlos 


2026 marca os 60 anos do lançamento de um clássico da música brasileira realizado pelo seu mais icônico cantor. 
Para quem não lembra ou não sabe, o programa Jovem Guarda, da tevê Record (bem antes de ser de um evangélico), liderava as tardes de domingo do Brasil.
A revolução musical e comportamental dos seus líderes e demais integrantes veio inspirada na ebulição social que ocorria na Inglaterra, principalmente, e este disco que posto contribuiu demais para a solidificação do movimento liderado por Roberto Carlos.
Segue o disco na íntegra:


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Música

The River - Bruce Springsteen 

Como recém vi o filme de Springsteen, que trata de um período delicado de sua trajetória, onde a depressão virou sua parceira, resolvi postar a obra que o catapultou à categoria de superstar.

Trata-se de The River, álbum de 1980, quando ele estava com 30 para 31 anos.

Segue o disco na íntegra na versão ao vivo:



quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Cinema

Springsteen: Deliver me from Nowhere - Direção de Scott Cooper 

Filme para fãs do "Boss", mas também para quem gosta de um bom programa. 

O diretor contou com um elenco convincente, em especial, Jeremy Allen White, que encarna Bruce Springsteen para contar uma fase difícil do artista, logo após o estouro com The River, o álbum de 1980.

Bruce recorda as dificuldades de relacionamento com o pai, alcóolatra e violento, que, aliás, em sua biografia Born to Run, não é "pintado" dessa forma. Desconfio que esta imagem da película trata-se de uma "liberdade poética" do diretor ou outra fonte como base de pesquisa.

Springsteen, que é de 1949, passa por uma fase depressiva na chegada aos "30", 1979, etapa de 1981, que persiste até 1982, momento de distanciamento da mídia e de seus maiores compromissos comerciais.

Isola-se do mundo para compor uma obra taciturna, fechada, voz e violão, inicialmente. Ela resultou da inspiração em eventos retirados de filmes, jornais, livros, que o influenciaram durante o isolamento. Batizou-a de Nebraska.

Por ser completamente diferente dos discos anteriores, a gravadora e empresários tiveram dificuldades em absorver o horizonte, isto é, onde o artista queria chegar naquela fase de sua vida.

Na história de Bruce, há espaço para um relacionamento afetivo/amoroso com Faye (Odessa Young), uma garçonete, e a filha dela, que é pequena, que resultou sem perenidade.

Durante a produção das músicas de Nebraska, Springsteen também compôs algumas de suas memoráveis canções que fizeram parte de Born in USA.

Produzido em 2025, possui 120 minutos.

Segue o trailer:






domingo, 1 de fevereiro de 2026

Cinema

O Deserto dos Tártaros - Direção de Valerio Zurlini 

Há 50 anos, o diretor Valerio Zurlini filmou a obra de Dino Buzzati, que postei anteriormente, e se alguém leu o livro antes, pode ficar frustrado com a película, por isso, sugiro a leitura depois, embora Zurlini tenha realizado um grande filme e contado com um elenco estelar e a música de Ennio Morricone.
Estão (e eu vou citar apenas um trabalho de cada um), Jacques Perrin e Philippe Noiret (Cinema Paradiso), Vittorio Gassman (Brancaleone nas Cruzadas), Giuliano Gemma (O Dólar Furado), Fernando Rey (Tristana), Max von Sidow (O Exorcista), Jean-Louis Trintignant (Z), Francisco Rabal (A Bela da Tarde), Laurent Terzieff (Chove sobre Santiago) e Helmut Griem (Cabaret).
Para conhecer o enredo, basta acessar este link: O Deserto dos Tártaros.
Produzido em 1976, segue o trailer oficial:




quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Literatura

Dica de Leitura

O Deserto dos Tártaros - Dino Buzzati 

Recém-finalizei a leitura deste clássico da literatura mundial, que trata da ida do tenente Giovanni Drogo para o Forte Bastiani ao norte da Itália, próximo da fronteira com um reino composto por tártaros.

Drogo abandona a vida boa e tranquila na cidade, por  pensar em quebrar a monotonia da Escola Militar. Cavalga só e esperançoso, onde poderá encarar batalhas e dar um sentido mais nobre à sua carreira.

Antes de chegar, ele começa a conhecer a monótona realidade do seu futuro ambiente de trabalho e já se decepciona ao ponto de descobrir que pode pedir remoção de imediato, fato que lhe passa pela cabeça. Porém, é desencorajado pelo seu superior imediato, que o convence a ficar pelo menos quatro meses, assim, não correndo o risco de manchar a sua carreira.

Drogo aceita, mas, após vencer este período, mesmo recebendo autorização para voltar à cidade, ele desiste no derradeiro instante, permanecendo no Forte.

Nesse momento, o leitor desconfia que o vínculo daqueles soldados com o seu local de trabalho é algo intenso que os mantém por anos a fio ali, sempre imaginando os tempos de encarar batalhas contra os invasores, o que dará sentido à vida de cada um deles.

O livro, evidente, não é sobre o dia-a-dia, a rotina militar, mas trata do processo de adiamento das decisões que afetam fortemente cada ser humano, por isso, a sua mensagem atual.

Deixo um link com excelente resenha do escritor e crítico Antônio Cândido, vide O Deserto dos Tártaros.

O prefácio da minha edição é do grande cineasta brasileiro, Ugo Giorgetti.

A Editora é a Nova Fronteira, possui 171 páginas.

 Dino Buzzati, que completaria 120 anos neste 2026, lançou a primeira edição em 1940.