Foi apenas um Acidente - Direção de Jafar Panahi
Um filmaço iraniano que conquistou a Palma de Ouro em Cannes na mais recente edição e está fazendo "carreira" no circuito dos grandes festivais de cinema.
O diretor está exilado. É considerado inimigo do governo de seu país; isso deu uma característica fundamental aos seus filmes, e este que posto é mais um exemplo disso.
A história começa numa noite, em que Eghbal (Ebraim Azizi), sua esposa grávida e a filha, de carro, atingem um animal que afeta o funcionamento do veículo.
Desta forma, ele se obriga a buscar ajuda para resolver o contratempo. Neste contato com um jovem motociclista, ele vai receber auxílio.
O mecânico Vahid (Vahid Mobasseri), que observa à distância o diálogo entre eles, sem ser percebido, tem um pensamento terrível: desconfia que o homem é um ex-torturador, membro do governo iraniano.
Vahid, então, decide segui-lo e, num momento de distração e isolamento, golpeia-o violentamente, domina-o e vai enterrá-lo vivo.
Diante dos insistentes apelos e negativas de ser quem ele pensa que é, Vahid vacila, imobiliza-o, recoloca-o na sua van e sai atrás de pessoas que, assim como ele, foram torturadas para a confirmação da identidade do pretenso carrasco.
Começa então um périplo que leva Vahid e sua "bagagem" a encontrar a fotógrafa Shiva (Mariam Afshari), a noiva Golrokh (Hadis Pakbaten) e o violento Hamid (Mohamad Ali Elyasmehr), formando um grupo que está dividido entre a certeza de se tratar de Eghbal, da sua execução sumária ou até de não sujar as mãos, o que os tornaria tão assassinos como ele.
Assim, permanece o sentimento dúbio sobre quanto a eliminação de um agente da repressão contribuirá para o combate ao coletivo de um sistema repressor.
Excelente obra, forte concorrente ao prêmio de melhor filme estrangeiro no próximo Oscar.
Produzido em 2025, possui 106 minutos.
Segue o trailer oficial:

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