domingo, 1 de novembro de 2026

Literatura

Dica de Leitura

Flores para Algernon - Daniel Keyes 

Uma obra espetacular com uma história muito curiosa e criativa, que prende o leitor do primeiro contato com o personagem Charlie Gordon até o seu final impactante.

A narrativa apresenta Charlie como uma pessoa com deficiência mental (e os erros gramaticais em seus primeiros relatórios demonstram isso), que, após a família "desistir" dele, passa por uma instituição para jovens com essa característica psíquica e retorna ao convívio da sociedade com a intervenção de seu tio, que consegue um trabalho simples numa padaria.

Ele se torna voluntário para uma experiência científica, em que, após uma intervenção cirúrgica em seu cérebro, poderá alcançar níveis de inteligência superior à média dos seres humanos.

Antes, o rato de laboratório chamado Algernon, submetido ao mesmo tratamento, apresentou excelentes resultados, o que levou à experimentação em Charlie.

O jovem avançou, superando seus colegas de trabalho. Passou a ter uma vida mais próxima da normalidade, relacionando-se com mulheres como Alice e Faye, mas, à medida que o tempo passa, o "Charlie" anterior à cirurgia emerge como o dono de seu corpo, requisitando o espaço que era dele, portanto, há dois Charlies convivendo num só espaço.

O conflito se dá também, junto às demais pessoas que conviviam com ele, anteriormente, sejam médicos, enfermeiros, psicólogos e até amigos, porque a ânsia de buscar pelo saber promove em Charlie um distanciamento, até então, inimaginável.

Disto resulta a "batalha" externa e interna do que é ético, no que se costuma chamar de avanços no campo da medicina e da ciência. O quanto o paciente sofrerá com o deslocamento do seu "eu" natural.

A primeira edição do livro data de 1966. No Brasil, seu lançamento ocorreu em 2018. A Editora é a Aleph, possui 288 páginas.





Nenhum comentário:

Postar um comentário