Aqui vou tratar quase que exclusivamente de Música,Cinema e Literatura. Sugestões que serão pontuadas pela curiosidade, qualidade e algumas pela indisponibilidade na rede mundial.
Neste novembro, mais exatamente no dia 24, o mundo deixou de ter fisicamente Jimmy Cliff, jamaicano de 81 anos, que, juntamente com Bob Marley e Peter Tosh, ajudou a popularizar o reggae pelo mundo.
Tenho vários álbuns dele, escolhi este porque, embora os especialistas não o coloquem entre os mais importantes, é o que mais gosto.
A Morte de um Corrupto - Direção de Georges Lautner
Este filme que posto é um clássico, tanto pela história quanto pelo elenco estelar, liderado por Alain Delon (Xavier Marechal), braço direito do deputado Dubaye, papel de Maurice Ronet, que logo, no início da película, assassina acidentalmente outro deputado, Serrano (Charles Moulin); portanto, de cara, o espectador sabe do crime e de seu autor e da motivação, isto é, revelações e chantagens de corrupção que envolvem ambos e que estão devidamente comprovadas em documentos, que chegarão às mãos de Xavier para sua proteção.
Xav, apelido de Marechal, passa a ser envolvido como suspeito pela morte ou por acobertar a autoria. Esta última hipótese, a correta, demonstra a fidelidade férrea que ele dedica a Dubaye. Ele guarda a pasta incriminatória num guarda-volumes da rodoviária.
Com a execução de Dubaye pela máfia, que se revelou infrutífera, pois os documentos não estavam mais com ele, o próximo passo é caçar Xav. Este se vê perseguido pela polícia e pelos mafiosos.
Ele encontrará apoio em Valérie (Ornella Mutti), amante de Dubaye, que também sofrerá perseguição, tanto da polícia quanto dos "bandidos".
O final apenas demonstra que, apesar de toda a luta, as perdas de amigos, confiança e decepções em que, em tese, lhe protegeria, a corrupção permanecerá no meio político e da polícia.
No elenco estão Mireille Darc como a namorada de Xav (Françoise), Stéphane Audran como Christiane, esposa de Serrano e Klaus Kinski como Nikolas Tomski, um bilionário que controla parte dos agentes policiais.
Produzido em 1977, possui 123 minutos. Segue o trailer:
No Brasil, a obra recebeu o nome de O Orgulho. Trata-se do novo cinema francês que apresenta a atualidade multifacetada do país, após a independência de suas colônias africanas e a migração de boa parte de argelinos, tunisianos, marroquinos, costa-marfinenses, senegaleses, ganenses, entre outros, para a França, e esse cadinho étnico já apareceu forte nos esportes, nas letras e também no cinema em clássicos como Intocáveis, O Profeta, O Ódio, etc.
Pois este filme que posto mostra a presença xenófoba no dia a dia do país. Ele começa com a chegada atrasada à universidade em seu primeiro dia de Neila Salah (Camélia Jordana), uma descendente de árabes e muçulmana.
Seu atraso e suas vestes simples (moletom e jeans), mais o nome que indica a sua origem étnica, são motivo para deboche do professor Pierre Mazard (Daniel Auteuil) com comentários racistas, que foram amplamente filmados pelos alunos, já que o auditório onde se realizava a aula estava repleto.
Neila não se submeteu à humilhação, mas viu a sua oportunidade na cadeira (disciplina) ficar em perigo.
O reitor (Nicolas Vaude), que é amigo do professor, não se deixou abalar por isso e impôs uma condição para evitar a ida dele ao conselho de ética e a quase certeza de sua exclusão da instituição: aproximar-se da aluna e fazer dela uma real competidora numa espécie de olimpíada de oratória, em que ela representará a universidade que há tempos não repete o seu histórico de conquistas.
É claro que, no início, a relação é fria e tensa, mas ambos precisam-se mutuamente e, aos poucos, um elo respeitoso surge até chegar ao ponto de admiração recíproca.
Um filme cativante, que demonstra, assim como Conduzindo Miss Daisy, para ficar num único exemplo, que a convivência desvela e desarma os preconceitos.
Finalizando, o diretor é nascido em Israel, descende de judeus e argelinos, mora na França, onde desenvolve sua carreira. Tem três filhos com a atriz Charlotte Gainsbourg, filha da icônica Jane Birkin.
Nesta data que marca a morte de Zumbi e agora também o Dia da Consciência Negra, uma pequena homenagem com um clássico deste artista, cujos discos superam em número todos os outros que tenho.
Refavela é de 1977, o segundo da trilogia "Re" (Refazenda e Realce). Um dos momentos de maior inspiração do mestre baiano.
Desconhecia o autor e sua obra. Comprei mais pelo fato de ser indicado pelo Pasquim, algo que nunca falhou para mim. Todos da Codecri (sua editora) promoveram grandes leituras.
O paulista Silvio está com 82 anos, jornalista de formação, no final da década de 70 partiu para a literatura, lançando Sonho de Dom Porfírio, um romance.
Em 1980 escreveu contos que estão reunidos no livro que posto e nele há a confirmação de seu texto ter sido influenciado por Alejo Carpentier, Júlio Cortázar, Jorge Borges e Franz Kafka, entre outros ilustres mestres das letras.
A obra está dividida em cinco partes, conforme a natureza dos contos.
1 - Sete Sinais (sete contos)
2 - Histórias da Cidade (cinco contos)
3 - Circunciclos (seis contos)
4 - Respeitável Público (quatro contos)
5 - Questões de Família (cinco contos)
Em todos eles, o fantástico, o absurdo e o realismo se entrecruzam, dando à pena do autor uma autenticidade quase única na cultura brasileira.
Fiquei positivamente surpreendido pelas histórias estranhas e peculiares que Silvio Fiorani apresentou há 45 anos.
Como escrevi, o livro é de 1980, Editora Codecri, possui 120 páginas.
Camille Belle nasceu Camille Belle Routh, em Los Angeles, Califórnia, EUA, no dia 02 de outubro de 1986. Alguns de seus filmes são: Jurassic Park II (The Lost World-Jurassic Park-1997), O Mundo de Jack e Rose (The Ballad of Jack and Rose-2005) e 10.000 A.C. (10,000 B.C. – 2008).
Um momento muito especial para mim, pois, quando o criei, era apenas diversão, que imaginava passageira, porém, ele me incentivou a ouvir, ver e ler mais para que tivesse material para as postagens. O A Caverna... virou um parceiro muito especial.
Infelizmente, a postagem de hoje é em memória do grande cantor nativista uruguaianense, João Chagas Leite, que nos deixou neste dia 11 aos 80 anos. Fica a sua arte eterna.
Campo, Pampa e Querência - João Chagas Leite
Em 1984, João Chagas Leite já era um músico consagrado no Rio Grande, quando venceu a 4ª Tertúlia Nativista de Santa Maria, cidade em que ele resolveu morar, aqui, no centro do estado, com a clássica Campo, Pampa e Querência no ano de 1983.
Do álbum, extraí algumas canções que viraram marca registrada da carreira do cantor nascido na fronteira gaúcha.
Grande grupo que, inicialmente, acompanhou Milton Nascimento. A formação inicial só teve "fera" da música brasileira, como o baterista Robertinho Silva, (Zé) Rodrix, Wagner Tiso, Fredera, Luiz Alves e Tavito.
Que bela surpresa esta película alemã, que é uma comédia romântica passada em 1989, pouco antes e durante a queda do muro que dividiu as Alemanhas, uma capitalista e a outra socialista, ação gerada pela Guerra Fria.
Começa com a jovem Franzi (Felicitas Woll) pegando carona para cursar faculdade na Berlim Ocidental. Pela escassa condição financeira, ela consegue um apartamento bem próximo do muro que é vigiado pelo lado oriental.
Apesar da divisão, algumas pessoas conseguem passar momentaneamente para o lado comunista, onde conseguem alimentos mais baratos.
Na primeira ida, Franzi, ao retornar, derruba as compras e um dos guardas, Sascha (Maxim Mehmet), ajuda a jovem sob o alerta dos seus colegas e rifles apontados para o casal. Ele não se abala e a ajuda. Começa ali um romance quase impossível pela situação política de seus países.
A história em forma de comédia apresenta a força do amor, mas, "caminhando ao lado" do romance, ela mostra o quão ridícula chegou a paranoia dos agentes de segurança da parte comunista e, em menor escala, do outro lado.
A polícia secreta alemã (Stasi) e a CIA em associação com os alemães ocidentais não acreditam no simples namoro dos jovens e veem nele caso de espiões infiltrados de ambos os lados.
É lógico que isso leva a várias situações cômicas e põe em dúvida o êxito do romance, mas 09 de novembro está chegando e o muro vai ruir pela força do povo germânico.
Intrigante obra baseada em fatos reais ocorridos em Bagdá, em que Nicola Calipari (Claudio Santamaria), um militar, diretor do serviço secreto italiano, ficou à frente das ações de resgate da jornalista Giuliana Sgrena (Sonia Bergamasco) de Il Manifesto, periódico comunista, sequestrada por grupo terrorista iraquiano no ano de 2005.
Giuliana permaneceu cativa 28 dias e sua libertação exigiu a intervenção dos EUA, Itália e Iraque.
No elenco está também Anna Ferzetti como Rosa Maria, a esposa de Nicola "Nibbio" Capilari.
Para quem não tomou contato com o evento, o final é surpreendente.
Produzido em 2025, possui 109 minutos. Segue o trailer oficial: